Como o Electric Callboy transformou o Metalcore na maior festa do planeta

Como o Electric Callboy transformou o Metalcore na maior festa do planeta

Se você ainda acha que o Metal Extremo precisa ser feito apenas de rostos fechados, roupas pretas e rituais sombrios, está na hora de conhecer a banda que explodiu as barreiras do gênero usando perucas neon, roupas de ginástica dos anos 80 e muita atitude. Direto de Castrop-Rauxel, na Alemanha, o Electric Callboy reinventou o conceito de entretenimento pesado ao fundir breakdowns brutais de Metalcore com o ritmo irresistível das pistas de dança e do techno dos anos 90.

Do “Flop” ao Fenômeno Viral

A grande virada de chave do grupo aconteceu por volta de 2020 com a entrada do vocalista Nico Sallach e o lançamento do single “Hypa Hypa”. A música pavimentou o caminho para o aclamado álbum TEKKNO (2022), que alcançou o topo das paradas europeias provando que o público do rock e do metal estava sedento por uma coisa: diversão descompromissada.

A estética visual da banda opera de forma genial: eles produzem clipes extremamente cômicos que viralizam instantaneamente. Hits massivos como “We Got the Moves” (com seus icônicos cortes de cabelo tigelinha) e “Pump It” (uma paródia maravilhosa de aeróbica antiga) acumulam centenas de milhões de reproduções nas plataformas digitais.

O Peso Encontra o Pop (e o Eurodance)

O som deles não é uma piada musical; instrumentalmente, a banda entrega guitarras pesadíssimas, bumbo duplo e vocais guturais que batem de frente com qualquer gigante do Death ou Thrash Metal. O segredo do sucesso está no contraste. A música transita de um refrão pop chiclete — do tipo que faria artistas como Dua Lipa ou Madonna aplaudirem — diretamente para um breakdown destruidor que incita os mosh pits mais insanos dos festivais atuais.

Se restava alguma dúvida dessa capacidade de transformar hits pop em verdadeiros hinos do metalcore, a versão pesadíssima e hilária de “Everytime We Touch” (sucesso eurodance dos anos 2000 do grupo Cascada) veio para selar de vez essa identidade. O clipe, gravado em um castelo com trajes elegantes e breakdowns demolidores, viralizou imediatamente entre metaleiros e fãs de música eletrônica.

O Elitismo dos “Fiscais do Metal”

A prova desse preconceito institucionalizado na cena está em plataformas como o Encyclopaedia Metallum (Metal Archives). Por conta de regras puristas, burocráticas e arbitrárias, bandas como o Electric Callboy — e até forças do nosso underground nacional, como a Manger Cadavre? — são sumariamente rejeitadas e ignoradas pelo banco de dados por puro elitismo. Para os “fiscais do metal”, misturar elementos modernos, ter posicionamento ou sair da caixinha parece anular a brutalidade do som. O NoiseRed rechaça essa mentalidade tacanha: peso é peso, não importa o rótulo.

Sem Barreiras e Sem Preconceito

A prova definitiva de que eles furaram a bolha do underground são os seus lançamentos e parcerias explosivas, como o single “RATATATA”, feito em colaboração com o fenômeno japonês BABYMETAL.

E você, o que acha dessa mistura de peso com pop? O Metal Archives tá certo em barrar essas bandas ou é só cagação de regra? Deixe sua opinião nos comentários abaixo!

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Biano/Paulo

Editor do NoiseRed. Defensor do metal como movimento internacionalista e 100% antifascista. Do underground brasileiro para o mundo, propagando a música extrema que desafia o sistema.

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