Entrevista: Inferno Nuclear incendeia o underground com o manifesto “Amazônia em Chamas”

Entrevista: Inferno Nuclear incendeia o underground com o manifesto “Amazônia em Chamas”
Crédito: Marcos Scaglione

O metal nacional e as vertentes mais extremas do underground sempre foram canais históricos de contestação, protesto e resistência. E se tem uma banda que compreende e executa essa premissa com maestria e fúria na atualidade, é o Inferno Nuclear.

Originário de Belém do Pará e atualmente radicado em São Paulo, o grupo traz em seu DNA a vivência e a força necessárias para fincar de vez sua bandeira como um dos nomes mais viscerais da nossa música pesada contemporânea. O aclamado álbum Amazônia em Chamas não faz média: é um soco no estômago que destrincha as mazelas sociais urbanas, aponta o dedo contra o descaso ambiental e ainda resgata com brilhantismo elementos do folclore brasileiro — como a mística figura da Matinta Pereira — para ilustrar a luta em defesa das nossas florestas.

Para além do peso sonoro lapidado na periferia paulistana, a banda colhe agora os frutos de um trabalho estratégico, profissional e feito com sangue nos olhos, que já reflete em uma agenda cheia pelo Brasil e em conexões internacionais de peso para o segundo semestre de 2026, incluindo o lançamento do álbum por um selo alemão e a aguardada versão em vinil do clássico de estreia.

Conversamos com o frontman Wellington Freitas, que nos contou em detalhes sobre a recepção do novo disco, a complexa construção visual da capa, a realidade nua e crua das ruas de São Paulo que inspira suas letras e, em um relato franco e inspirador, como a decisão de cortar totalmente o álcool de sua rotina transformou sua performance no palco e a gestão da banda.

Prepare os ouvidos e confira o massacre na entrevista completa abaixo:

NoiseRed: Olhando para trás hoje, como você avalia a recepção do público e da crítica emrelação à mensagem central do disco? A urgência das letras parece ainda mais atual?

Wellington Freitas: Primeiramente muito obrigado pelo espeço cedido. A recepção dos álbum “Amazônia em Chamas” está sendo maravilhosa, estamos colhendo ótimos feedbacks do público, imprensa especializada, sites, revistas, zines e estamos fazendo shows por todo Brasil. Nossas letras são provocativas e oferecem criticas contundentes ao estado ditatorial, a faixa
titulo “Amazônia em chamas” trata nossa preocupação com o meio ambiente, e ligado e esse tema a gente fez questão de trazer o folclore brasileiro para dentro do álbum, pois a letra de Matinta Pereira (A velha feiticeira da mata), fala de uma personagem que renasce das trevas para proteger a floresta amazônica de seres incautos que praticam Crimes ambientais.

NoiseRed: O álbum abre com “Amazônia em Chamas“, mas temos faixas fortes como “Doença Sociais” e “Falsos Profetas“. Como foi o processo de escolha das músicas que ganhariam vídeos (clipe e lyric video) para representar a alma do trabalho?

Wellington Freitas: Bom, Até o presente momento 5 (cinco) músicas ganharam versões audiovisuais, são elas: Doença Social (Videoclipe) Teve como objetivo ser o primeiro single de divulgação do álbum “Amazônia em chamas” e promover a nova formação da banda; Falsos Profetas & Inferno Nuclear foram (Lyrics videos) que antecederam o lançamento do álbum; “Amazônia em Chamas” (Video clipe) por sua vez trouxe imagens do show de lançamento do álbum, na casa de show La Iglesia; Antirracista (Video clipe), com imagens registradas no centro de São Paulo e com participações especias de músicos / bandas: Punho de Mahin, Friendship 66, Agravo, Laboratori, Mosca Negra e Drowned. Os lyrics foram assinados por Marcelo Silva & os Clipes foram assinados pelo Marcos Scaglione.

Clipe Oficial – “Amazônia em Chamas”:

NoiseRed: A parceria com Thiago Bezerra: Como foi a experiência de gravar no Estúdio Madness Music, no Jardim da Conquista? De que forma o Thiago ajudou a lapidar o som agressivo que o álbum pedia?

Wellington Freitas: Cara, trabalhar com o Thiago Bezerra foi maravilhoso, ele conseguiu captar em suas totalidade toda energia e essência das músicas, Thiago foi paciente e conseguiu conduzir a produção do álbum com muita inteligência, estamos muito felizes com o resultado final. Salve Thiago Bezerra.

NoiseRed: A arte da capa, assinada pelo Marcio Aranha, é muito impactante. O quanto a estética visual foi pensada para dialogar diretamente com as nove faixas do disco?

Wellington Freitas: Escolher o mestre Marcio Aranha para essa tarefa foi fácil, afinal, estamos com uma parceria firmada há anos. Mas, a trabalhar na capa do álbum “Amazônia em Chamas” não foi uma tarefa tão fácil, a arte é bem complexa, peculiar e inédita. Pois, expressar visualmente a sonoridade do álbum, trazendo a floresta amazônica, a Matinta Pereira (personagem do folclore brasileiro), a coruja (rasga mortalha – outro personagem do folclore brasileiro) e todo conceito de protesto do álbum não foi fácil, mas, o Marcio com seu estilo próprio, conseguiu fazer um trabalho maravilho, estamos felizes por isso.

NoiseRed: Wellington, uma curiosidade pessoal que reflete diretamente na sua performance: você decidiu parar totalmente de beber. O que te motivou a tomar essa decisão e, depois desse tempo, você sente que “faz falta” em algum momento ou os
retornos para a sua saúde e para a sua entrega vocal compensaram qualquer consequência?

Wellington Freitas: Cara, confesso que no passado tive problemas com uso de bebida alcoólica, Mas, o principal gatilho para eu me manter zero álcool é o trabalho com o Inferno Nuclear, não é tarefa fácil fazer gestão de uma banda, fazer planejamentos, organizar, controlar, corrigir devi-os e depois recomeçar tudo de novo. Além disso, no palco tenho mais segurança para
berrar, pular, agitar do inicio ao fim, minha postura de palco é muito peculiar. E tem mais, não vamos romantizar nosso rolê, para obtemos resultados positivos é necessário fazer investimento consistente, caso contrario você esta fora do game. Portanto, com o uso de álcool essas entregas seriam impossíveis.

NoiseRed: Morar na capital paulista influencia de alguma forma a sua composição ou a maneira como você enxerga os problemas sociais retratados nas letras?

Wellington Freitas: Bom, as mazelas e problemas sócias estão em todo Brasil. Mas, preciso confessar uma coisa, a letra da faixa “Doença Social” é um grito de protesto contra o descaso do Estado em relação aos adictos que vivem em situação de vulnerabilidade social nas ruas da grande São Paulo. Dessa forma, o Inferno Nuclear coloca mais uma vez a Cracolândia como pauta de discussão.

NoiseRed: “Amazônia em Chamas” é um disco visceral. Como tem sido a energia de levar essas novas músicas para o palco durante este último ano?

Wellington Freitas: Nossa conexão e energia com o publico e fãs está sendo fantástica, é lindo ver todos cantando, sorrindo e dançando as musicas com a gente, o álbum Amazônia em Chamas” colocou o Inferno Nuclear como um grande nome da música Brasileira e nossa agenda de shows por todo Brasil justifica o impacto positivo do álbum.

NoiseRed: Após um lançamento tão crítico e bem produzido, o que os fãs podem esperar do Inferno Nuclear para o restante de 2026? Já existem novos gritos de protesto sendo compostos?

Wellington Freitas: Já estamos focados em novas composições, tem muita coisa nova vindo aí. Além, disso estamos lançando o álbum “Amazônia em Chamas” pela gravadora Alemã WITCHES BREW. Nosso primeiro álbum “Diante de Um Holocausto” vai ganhar versão em DISCO DE VINIL no Brasil, a faixa “Inferno Nuclear” vai ganhar versão em Video Clipe (com os
registros feitos da nossa turnê pelo norte do Brasil). Portanto, vai ter muita emoção nesse segundo semestre de 2026. Hahahahahahahahaha.

NoiseRed: Para quem quer fortalecer o Inferno Nuclear e vestir a camisa: onde a galera pode adquirir o CD “Amazônia em Chamas”, as camisetas e o merchandising oficial da banda?

Wellington Freitas: Para adquirir nosso merchandising é só chamar a banda no instagram: @infernonuclear ou no e-mail: infernonuclear@gmail.com, segue nosso canal do YouTube:https://.youtube.com/@infernonuclear
E fica aqui minha gratidão a todos e todas que vem consumindo nosso merchandising. Todo investimento e projeção que fizemos no álbum “Amazônia em Chamas” foi graças ao consumo do nosso merchandising. Valeuzão mesmo, de coração!

NoiseRed: E para os produtores que querem levar o massacre sonoro do Inferno Nuclear para suas cidades em 2026, quais são os canais oficiais para contratação de shows?

Wellington Freitas: Nosso principal contato para show é o e-mail: infernonuclear@gmail.com mas, pode chamar a gente em qualquer rede social, é só colocar @infernonuclear e encontra noixxxxx, segue também nosso contato telefônico: 11 985443143 (WhatsApp)

Ouça o álbum completo em https://youtu.be/bk8JOosJMiA
Streaming: https://onerpm.link/150143245532

Redes Sociais:
Facebook: https://www.facebook.com/infernonuclear
Instagram: https://www.instagram.com/infernonuclear
X (Twitter): https://www.twitter.com/infernonuclear

Contato para shows: (11) 985443143
E-mail: infernonuclear@gmail.com


Biano/Paulo

Editor do NoiseRed. Defensor do metal como movimento internacionalista e 100% antifascista. Do underground brasileiro para o mundo, propagando a música extrema que desafia o sistema.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *