Resenha: Son of Aurelius – Under a Western Sun (2014)

O ápice incompreendido do Technical Progressive Death Metal
Existe uma linha tênue que separa o exibicionismo técnico da genialidade composicional. No Death Metal Técnico, é comum ver bandas que priorizam a velocidade estonteante em detrimento da alma das canções. Quando o Son of Aurelius despontou em 2010 com The Farthest Reaches, muitos acharam que eles seriam apenas mais um nome nessa engrenagem de fritação. Porém, quatro anos depois, os norte-americanos entregaram Under a Western Sun: um monumento sonoro de 1 hora e 12 minutos que, infelizmente, se tornou um dos segredos mais bem guardados e injustiçados da década passada.
Se no primeiro álbum a banda focava no impacto direto, aqui a proposta é uma jornada progressiva e cinematográfica. A começar pela belíssima e melancólica instrumental de abertura “Return to Arms”, que prepara o terreno para o que está por vir.
Quando “Chorus of the Earth” (com seus mais de 7 minutos) explode, fica claro que a banda mudou de patamar. Riffs intrincados e quebradas de tempo milimetricamente calculadas agora dividem espaço com texturas atmosféricas e uma novidade que chocou os puristas na época: o uso cirúrgico de vocais limpos, que dão um tom épico e melancólico à brutalidade.
O miolo do álbum é uma sequência de espancamento técnico e bom gosto. “The Weary Wheel” e “The Stoic Speaks” mostram uma cozinha (baixo e bateria) que desafia as leis da física, flertando abertamente com o Jazz Fusion sem perder o peso do Death Metal. A agressividade crua ganha contornos dramáticos em “Attack on Prague”, uma das faixas mais intensas e ricas do trabalho.
O álbum se comporta como uma ópera obscura, intercalado por respiros instrumentais estratégicos como “Flailing Saints” e “Submerge & Surface”, que funcionam como transições necessárias para o ouvinte processar a densidade das composições.
Caminhando para o final, a trinca “Long Ago”, a faixa-título “Under a Western Sun” e o encerramento com “Strange Aeons” consolidam o álbum como uma obra de arte conceitual. A faixa homônima é um verdadeiro testamento de como fazer metal progressivo sem soar enfadonho: solos de guitarra repletos de feeling, dinâmicas de calmaria e caos, e uma entrega lírica visceral.
Under a Western Sun foi o canto do cisne do Son of Aurelius. Uma banda que ousou quebrar as barreiras do próprio gênero, trocando a mesmice dos “clones de Necrophagist” por uma identidade única, melódica, técnica e profundamente filosófica. Um disco que não merece o esquecimento — merece ser reverenciado no volume máximo.

Traclist:
1.Return to Arms 02:42 instrumental
2.Chorus of the Earth 07:11
3.The Weary Wheel 06:46
4.Coloring the Soul 03:56
5.The Stoic Speaks 04:46
6.Attack on Prague 06:03
7.Flailing Saints 01:19 instrumental
8.A Great Liberation 05:15
9.Clouded Panes 04:27
10.Blinding Light 04:15
11.The Prison Walls 05:55
12.Submerge & Surface 03:03 instrumental
13.Long Ago 06:52
14.Under a Western Sun 07:15
15.Strange Aeons 02:29 instrumental
Links Relacionados :
https://twitter.com/sonofaurelius
https://open.spotify.com/artist/5Ma6cDWmLsQcTlmUMa2iYT
https://www.youtube.com/user/sonofaurelius
http://www.facebook.com/pages/Son-Of-Aurelius/247844301133
⚠️ OBSERVAÇÃO NOISERED: É importante ressaltar que não atribuímos notas aos álbuns resenhados. Acreditamos que a arte é subjetiva, o gosto é relativo e a música extrema não se encaixa in rankings ou métricas frias. O papel da resenha é propor o debate e a audição; o veredito final é sempre do seu próprio ouvido. Vivemos e respeitamos o underground! 🤘🔥
Não perca nenhuma atualização do NoiseRed. Siga a gente em nossos canais oficiais:
🟢 WhatsApp: Inscreva-se no nosso Canal
📸 Instagram: @noiseredoficial
Artigos Relacionados:







