O Covarde de Bertioga: A Impunidade Histórica de Josef Mengele e a Herança do Ódio

O Covarde de Bertioga: A Impunidade Histórica de Josef Mengele e a Herança do Ódio

Uma pá de sites, canais de história e documentários adoram falar sobre Josef Mengele, o “Anjo da Morte” de Auschwitz. Nós, do NoiseRed, estamos pouco se fodendo para a figura dele e para a ideologia de merda que ele e os nazistas defendiam. O fascismo e o nazismo não merecem palanque, merecem o esgoto da história. Porém, ignorar o passado é dar chance para o erro se repetir — e a história desse desgraçado precisa ser contada pelo que ela realmente é: a história de uma covardia monumental.

Como é possível que um dos maiores monstros da humanidade, responsável por experimentos macabros e pela morte de milhares de inocentes, tenha conseguido fugir, cruzar o oceano e viver escondido aqui no Brasil por anos? Como um covarde desses morre de velhice, afogado em uma praia em Bertioga, no litoral de São Paulo, em 7 de fevereiro de 1979, sem nunca ter pago por seus crimes em um tribunal?

Essa impunidade gera uma revolta visceral.

O Desejo de Justiça vs. O Discurso do “Ódio do Bem”

Hoje em dia, se você expressa o desejo profundo de que monstros desse calibre — ou figuras contemporâneas que flertam com o autoritarismo, a opressão e o preconceito, como Trump, Bolsonaro e companhia — tivessem sofrido ou pagado caro pelo mal que causaram, logo surge alguém para questionar: “Ah, mas você que é de esquerda não deveria pregar a paz? Cadê a tolerância?”.

A resposta é simples, direta e sem curvas: com o fascismo e com opressores, não existe diálogo. Querer que genocidas, ditadores e arquitetos da miséria humana sofram as consequências de seus atos não é “falta de amor”, é um senso básico de justiça. Não estamos nem aí para o bem-estar de seres que dedicaram suas vidas a destruir minorias, perseguir opositores e espalhar o ódio.

A Morte Comum de um Monstro Incomum

Mengele morreu aos 67 anos. Teve um AVC enquanto nadava e afundou no mar paulista. Uma morte comum, pacífica até demais para quem transformou a vida de tanta gente em um inferno na Terra. Ele foi enterrado com nome falso em Embu das Artes até que sua ossada fosse descoberta anos depois.

Ele está morto, virou pó, e fodase a memória dele. O que nos importa hoje é o agora. Olhar para a fuga de Mengele e para a sobrevivência de suas ideias em figuras políticas atuais nos lembra que o monstro não morre quando o coração para; ele continua vivo toda vez que o preconceito, a violência de Estado e a intolerância ganham espaço.

Nota do Editor: O NoiseRed se recusa a estampar a foto ou a imagem de criminosos de guerra e opressores em nossas capas e matérias. Não alimentamos o voyeurismo histórico e nem damos palco para a estética do ódio. Nosso compromisso é com a memória das vítimas, a denúncia da impunidade e a luta antifascista. A cara desse lixo pertence ao esquecimento; a nossa voz pertence à resistência.

O NoiseRed segue sendo um espaço antifascista, inclusivo e barulhento. Lembrar da covardia de Mengele não é cultuar o nazismo, é fincar a nossa bandeira e avisar: aqui eles não passarão, nem no passado, nem no presente.


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Biano/Paulo

Editor do NoiseRed. Defensor do metal como movimento internacionalista e 100% antifascista. Do underground brasileiro para o mundo, propagando a música extrema que desafia o sistema.

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