Guerra Nuclear – Fim de Todas as Formas (2023) e a Resistência Cega do Thrash Metal Independente

Se o Thrash Metal nasceu nos anos 80 sob a paranoia da Guerra Fria e a ameaça de um holocausto atômico, o Guerra Nuclear prova que, em pleno século XXI, as ogivas mudaram de endereço, mas o perigo continua o mesmo. Formada por músicos que se dividem entre o Rio de Janeiro e o Mato Grosso do Sul, a banda lançou em 2023 o avassalador Fim de Todas as Formas. Lançado de maneira totalmente independente — o formato que mais valorizamos aqui no portal —, o registro ganhou vida tanto nas plataformas digitais quanto no formato físico em CD.
O que encontramos aqui é um Thrash Metal raiz, cantado em português, cru, veloz e sem concessões para tendências modernas. O quarteto formado por Marco Anvite (baixo), Igor de Souza (bateria), Rômulo Ballestê (guitarras) e Fernanda Mattiello (vozes) entrega um soco no estômago em forma de música extrema.
O Destroçar das Faixas
O álbum abre com “Ogiva”, uma introdução instrumental de 1 minuto e meio que prepara o ouvinte para o clima de tensão iminente. A calmaria cinzenta é estraçalhada logo em sequência por “Deus S/A”, que chega rasgando tudo, mostrando a que veio o vocal brutal, rasgado e imponente de Fernanda.
A faixa-título, “Fim de Todas as Formas”, e “Requintes de Crueldade” são aulas de como construir riffs rápidos e palhetadas cavalgadas com a legítima escola do metal pesado nacional. A cozinha de Marco e Igor dita o ritmo caótico de forma cirúrgica. Em “Reator IV” e “Ditadores Decapitados”, a banda evoca fantasmas históricos e políticos com uma agressividade lírica que faz o instrumental soar ainda mais pesado.
O grande ápice do disco, no entanto, surge na reta final. “Zumbi Vive!” é um hino de resistência. Com um videoclipe oficial avassalador, a faixa exalta a força de Zumbi dos Palmares e a luta contra o preconceito e a opressão histórica. O peso dessa música não está apenas nas guitarras de Rômulo, mas na urgência de sua mensagem. O encerramento com “A Hora do Brasil” (uma ironia ácida impecável) e “Mensageiro da Morte (B-29)” consolida o álbum como um dos grandes registros escondidos do nosso underground recente.
Veredito NoiseRed
Fim de Todas as Formas é um trabalho que merece ser ouvido no talo, de preferência folheando o encarte do CD físico. É o retrato de uma banda que não espera o mercado acontecer: eles vão lá e fazem. Thrash de rua, contestador, pesado e obrigatório para quem reclama que “o metal nacional morreu”. Não morreu, ele só continua longe dos holofotes e explodindo em nossos ouvidos através de bandas como o Guerra Nuclear.
Ficha Técnica & Tracklist:
- Banda: Guerra Nuclear
- Álbum: Fim de Todas as Formas
- Ano: 2023
- Formato: Digital / CD Independente
- Formação: Fernanda Mattiello (Voz), Rômulo Ballestê (Guitarra), Marco Anvite (Baixo), Igor de Souza (Bateria).

- Ogiva (Instrumental)
- Deus S/A
- Fim de Todas as Formas
- Requintes de Crueldade
- Reator IV
- Ditadores Decapitados
- Zumbi Vive!
- A Hora do Brasil
- Mensageiro da Morte (B-29)
Ouça o álbum e assista ao clipe:
- Videoclipe Oficial:
Onde apoiar a banda: Procure os canais oficiais do Guerra Nuclear para garantir a sua cópia física em CD!
⚠️ OBSERVAÇÃO NOISERED: É importante ressaltar que não atribuímos notas aos álbuns resenhados. Acreditamos que a arte é subjetiva, o gosto é relativo e a música extrema não se encaixa em rankings ou métricas frias. O papel da resenha é propor o debate e a audição; o veredito final é sempre do seu próprio ouvido. Vivemos e respeitamos o underground! 🤘🔥
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