Foto: Divulgação

O Circo, de Charles Chaplin, original de 1928, será exibido às 20h desta terça-feira (19) no Teatro do Sesc Piracicaba

A Mostra 100 anos do filme 16mm segue no Sesc Piracicaba com mais duas sessões gratuitas. Nesta terça-feira (19), às 20h, está em cartaz o filme O Circo, de 1928, um clássico de Charles Chaplin. Antes da exibição, às 19h30, haverá bate papo sobre cinema com Paolo Gregori, professor de cinema da Unimep e Alex Zen, da Cine 16. A realização é do Sesc com apoio da produtora Cine 16.

Na trama de O Circo, um batedor de carteiras está agindo em meio à multidão. Para evitar que seja pego, ele coloca uma carteira roubada no bolso do faminto vagabundo (Chaplin), sem que ele perceba.

Quando a polícia se afasta, o batedor volta para recuperar o dinheiro perdido, gerando uma perseguição e fazendo que o vagabundo entre sem querer no picadeiro de um circo decadente, produzindo risos entre o público e fazendo com que o dono o contrate sem que o coitado saiba que passará a ser a principal atração do espetáculo.

A cópia em 16mm a ser exibida é dublada e foi feita especialmente para a televisão brasileira, conta Alex Zen.

“Isso porque o 16 tornou-se o formato padrão da indústria cinematográfica para distribuição de filmes para as emissoras de televisão até a década de 1980. Aparelhos especiais chamados de ‘telecine’ faziam a conversão em tempo real da projeção em película para as transmissões dos filmes”, ele explica.

O Circo tem 71 minutos e traz no elenco Charlie Chaplin, Al Ernest Garcia e Merna Kennedy.

Última sessão, dia 26/09

A mostra será encerrada dia 26/09 com a exibição do filme ‘A Última Gargalhada’, de 1924, dirigido por Friedrich W. Murnau. A obra tem 101 minutos de duração e será exibida uma cópia legendada. No elenco, Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller.

Um idoso porteiro do Atlantis, um elegante hotel de Berlim, sente orgulho do seu trabalho. Entretanto, o novo gerente do hotel se mostra insensível quando o velho porteiro para um pouco para se recompor, após carregar uma pesada bagagem, e assim o gerente decide que o atual porteiro é velho demais para o cargo e o rebaixa para criado do banheiro masculino. Isto provoca um efeito desastroso no prestígio do homem e na sua autoestima.

O filme é referência do Expressionismo alemão, ressalta Alex.

“Exemplo de uma cópia em 16mm feita para exibição em cineclubes e escolas de cinema. O estudo de um filme icônico como esse em espaços alternativos, e num tempo que antecede os vídeo-cassetes, foi imensamente facilitado graças ao 16mm”, ele destaca.

A Mostra

Em alusão ao aniversário de 100 anos da criação do formato de filme 16mm, o Teatro do Sesc Piracicaba realiza ao longo do mês de setembro, sempre às terças-feiras, a partir das 19h30, a Mostra 100 Anos do Filme 16MM. Com entrada gratuita, a mostra reúne desde obra expressionista alemã de 1924 à produção contemporânea Cisne Negro, de 2010.

A mostra apresenta quatro títulos, e cada um representando um aspecto da produção ou distribuição de filmes. A mostra abriu no dia 5 de setembro, com a exibição do filme Cisne Negro, de 2010, com Natalie Portman como protagonista. Em seguida, foi exibido em 12/09 o filme Flores do Pó, de 1942, de Mervin Le Roy.

O formato 16mm

O filme 16mm, destaca Alex Zen, é revolucionário ao cinema por expandir a 7ª arte a espaços alternativos, permitindo que pessoas sem conhecimento técnico pudessem também fazer e exibir filmes.

“O segredo estava na simplicidade do equipamento, em comparação com as pesadas e complicadas câmeras e projetores 35mm utilizados pela indústria cinematográfica. Foi o nascimento do cinema doméstico”, ele afirma.

Graças à pequena bitola criada pela Kodak em 1923, e bem antes da invenção do VHS, cinéfilos fundaram cineclubes (“film societies”) no mundo todo, em ambientes adaptados ou improvisados, para assistir, estudar e debater os grandes filmes de Murnau, Eisenstein, Chaplin, Goddard, Kurosawa e John Ford. Esses filmes circulavam apenas em cópias em 16mm porque os títulos já estavam fora do circuito comercial, que adotava o padrão 35mm dos pesados, caros e complexos equipamentos para operação.

Devido ao relativo baixo custo e natureza portátil, escolas de cinema também passaram a adotar o formato para produção de filmes com fins acadêmicos, auxiliando na formação de grandes cineastas pelo mundo todo: praticamente todos os mais consagrados realizadores do cinema do século XX, como Wim Wenders, Glauber Rocha, Spike Lee e Spielberg, foram iniciados no cinema com o 16mm. E mais do que isso: o 16 passou a ser um opção estética que atraiu miríades de realizadores profissionais, como Eduardo Coutinho, Spike Lee e Darren Aronovsky, cuja obra “Cisne Negro”, captada no formato, abrirá a mostra do Sesc.

“Com o 16mm, o cinema saiu dos cinemas, por assim dizer”, explica o curador da mostra e historiador do cinema Alex Zen, da produtora piracicabana Cine 16 que carrega no nome uma homenagem ao formato que revolucionou o alcance da imagem em movimento. “Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) projetores 16mm passaram a ser itens comuns nas escolas, universidades, órgãos públicos, empresas, sindicatos e clubes”, prossegue, “e o fenômeno dos cinemas itinerantes, em que qualquer espaço fechado – ou mesmo ao ar livre – poderia abrigar provisoriamente uma sessão de cinema, foi possível graças ao 16mm”, lembrando que seu falecido pai, “Zé Carlos”, foi projecionista itinerante nos anos de 1960-70 na região de Piracicaba, onde percorria os distritos levando um projetor 16mm para exibir filmes nas sessões improvisadas em galpões que lotavam.

Nessa imperdível mostra do Sesc, cada sessão contará com introdução do cineasta e professor Paolo Gregori, que também coordenará os bate-papos após as projeções autênticas em película, em que o projetor de filmes 16mm ficará posicionado ao fundo do teatro, reproduzindo uma sessão de cinema-raiz, como eram as projeções cineclubistas. Gregori, com longa experiência pessoal filmando em 16mm, e ostentando a sua “K3”, lendária câmera soviética trazida da Croácia quando lá esteve para estudar Cinema, conta que descobriu o formato ainda na infância, quando seu avô filmava a família e deixou-o filmar seu bolo de aniversário de sete anos: “de lá para cá não parei mais de filmar e sempre, quando posso, em 16mm, que é a minha bitola preferida na escola, na faculdade, na produtora, nas minhas viagens e em road movies”, afirma, evidenciando que, após cem anos, o formato ainda continua vivo nas mãos de muitos cineastas, inclusive profissionais. De fato, de olho em um nicho de mercado direcionado aos amantes da película, ainda existem fornecedores de filmes 16mm, como a própria Kodak, contribuindo para manter acesa a chama desse formato centenário.

SERVIÇO
CINECLUBE: MOSTRA 100 ANOS DO FILME 16MM
Local: Teatro do Sesc Piracicaba, na rua Ipiranga, 155 – Piracicaba/SP
Data: ´últimas duas sessões em 19 e 26 e setembro, terças-feiras
Horário: 19h30 – bate papo com Paolo Gregori, professor de cinema da Unimep e Alex Zen, da Cine 16; 20h – exibição
Entrada: Grátis | Ingressos começarão a ser distribuídos com 1 hora de antecedência

Fonte:  Tedesco Mídia

By Biano

Agente secreto URSAL a serviço no Brasil , curtidor de Músicas Subversivas e um tanto extremas, degustador de cerveja !

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