Diz Nuno Ramos que ”quem retorna a casa arruinada, tem a seus pés a vida que não viveu, talvez melhor e mais autêntica que a antiga”. ‘A Queda’, nova canção do duo interestadual Motosserra, formado pela cearense radicada em Belo Horizonte Maria Caram e a paraibana Olga Costa, é um convite a encarar e adentrar nas ruínas.

Abraçando as influências eletrônicas e misturando-as com os discos ambient de Brian Eno,  a dupla cria o que poderia ser sua primeira balada, mas entrecortada por ruídos e uma letra quebrada, que causam uma sensação de deslocamento e dúvida. A música foi produzida e masterizada, mais uma vez, pela Tuca Records.

Lançada quase um ano depois do último single, a canção resgata a aflição e a ansiedade de ‘rio_rua’ (ouça/veja aqui), mas agora a dupla parece estar voltando para aquele quarto, arruinado pelo tempo, e tentando entender quanto dos nossos tropeços nos definem e quais raízes precisam ser cortadas. 

‘A Queda” é o terceiro single do projeto e fala da responsabilidade com o coletivo ao mesmo tempo que clama, em fala seca, “CORTA”, pela libertação de padrões e situações que já não existem ou não fazem sentido. Ao atravessar essa casa que se desfaz, parece só restar uma pergunta a ser respondida: Quem é você depois de tantos desastres?!

O single vem acompanhado de um clipe feito pelo videomaker Otávio Camargo. “A construção. A desconstrução. Os processos cotidianos. O vento, o ar, o mar. A reconstrução é de dentro para fora. Corta de fora para dentro. Erros e desabamentos. Quedas e levantes. feitos com imagens que se agruparam através do olhar de Otávio Camargo simularam uma realidade com visão pessimista de uma divina comédia cool”, comenta Olga Costa.

Ouça o single no seu streaming favorito ou veja o clipe clicando aqui.

Sobre a Motosserra

Motosserra é Olga Costa e Maria Caram e todo mundo que quis entrar nessa nave temporariamente. É reflexo de um tempo ainda sem definição. É uma dupla à distância, porém trabalhando de perto as afinidades musicais que remontam de um movimento longínquo e esquecido pela grande mídia chamado “no wave”, misturada ao spoken word da Lydia Lunch, Laurie Anderson e Patti Smith. A sonoridade é agressiva e contínua. É sonoridade de destruição. Destruição que clama por alguma deusa que possa trazer de volta a beleza de ver o globo renascer de suas próprias cinzas.

A Queda

Letra e vocais: Olga Costa

Synths: Maria Caram

Teclado e efeitos: Rafael Luna

Produção: Tuca Records (Rafael Luna e Juliana Altoé) 

Mixagem e masterização: Rafael Luna

Lançamento: Hominis Canidae REC

Distribuição: Tratore

Fonte: Hominis Dissemina

By Biano

Agente secreto URSAL a serviço no Brasil , curtidor de Músicas Subversivas e um tanto extremas, degustador de cerveja !

Deixe uma resposta